A criança como ser único e “original” age e interage no espaço que contém objectos próprios, e através disso, consegue chegar à compreensão do mundo, aos seus interesses pessoais, às suas perguntas, às suas intenções, aos seus planos que conduzem à exploração e experimentação. Deste modo, leva à construção dos seus conhecimentos, nomeadamente, à compreensão da realidade física e social.
Segundo Zabalza (1992): O espaço na educação constitui-se como uma estrutura de oportunidades. É uma condição externa que favorecerá ou dificultará o processo de crescimento pessoal e o desenvolvimento das actividades instrutivas. Será facilitador, ou pelo contrário limitador, em função do nível de congruência relativamente aos objectivos e dinâmica geral das actividades postas em marcha ou relativamente aos métodos educativos e instrutivos que caracterizam o nosso estilo de trabalho. (p. 120)
Assim sendo, a Sala Vermelha está "dividida"/estruturada por Áreas de Trabalho. "Área" é um termo habitual na educação pré-escolar para designar formas de pensar e organizar a intervenção do educador e as experiências proporcionadas às crianças. As áreas ou os espaços criados na sala não são estanques. Pode-se e deve-se criar novas áreas indo ao encontro do interesse do grupo de crianças, mediante os projectos que se estiverem a desenvolver. As mudanças são feitas com o grupo e, desta forma, familiarizam-se com o espaço e participam no processo de organização.
De seguida seguem as áreas de trabalho já existentes na Sala Vermelha:
Área do Acolhimento - É um local de reunião, onde todos se sentam nos sofás para partilhar vivências, contar histórias, cantar, realizar alguns jogos, sendo este também o local onde programamos todo o trabalho que pretendemos realizar ao longo do dia, planifica-se com o grupo, preenchem-se os quadros de gestão do grupo, ou seja, os instrumentos de trabalho, fazem-se avaliações através de registos gráficos entre outros. Não é um espaço exclusivo do acolhimento, visto ser também um espaço que as crianças utilizam nas actividades de trabalho autónomo.
Área da Biblioteca - Esta área funciona em fusão com o espaço do Acolhimento. Nesta área as crianças manuseiam livros, inventam histórias, “lêem” histórias, contam histórias, manuseiam ficheiros de imagens, enciclopédias, revistas, fotografias, jornais, listas telefónicas,...
Área da Casinha e das Trapalhadas / Jogo Simbólico - Esta área inclui a “casinha das bonecas”, a “arca das trapalhadas" e os fantoches. As crianças podem fazer dramatizações, fantoches, histórias, brincadeiras de imitação dos modelos familiares,...
Área da Expressão Plástica - Nesta área as crianças experimentam vários materiais e suportes, realizam artefactos com materiais reutilizáveis, realizam colagens, pinturas, desenhos com variadas técnicas, manuseiam tesouras, colas, experimentam e treinam noções de espaço relativos ao suporte que nele se inscrevem.
Área dos Jogos e Construções - Nesta área as crianças experimentam construções a três dimensões; fazem actividades de iniciação à matemática que implicam comparações e seriações, sequências, alternâncias, tamanhos, peso, forma, cor; experimentam materiais que promovem noções de lateralidade; fazem actividades de experimentação de noções espaciais como: puzzles, construções, pistas de carros. Numa outra zona da sala existe também o Área da Garagem onde também se aplicam os conceitos acima mencionados.
Área da Escrita - Nesta área as criança têm contacto com o código escrito de uma forma informal. Brincam com letras e números, copiam-nos, fazem tentativas de escrita, imitam a escrita e a leitura, familiarizam-se com o código escrito, percebem que há uma forma de comunicar diferente da linguagem oral, percebem as funções da escrita. Não se trata de uma introdução formal e “clássica” à leitura e escrita, mas de facilitar a emergência da linguagem escrita. Os dois quadros de giz da sala são o prolongamento desta área de trabalho.
Área das Tecnologias/Computador - Nesta área as crianças usam o computador para jogar jogos didácticos com diversos temas para o seu desenvolvimento. O código informático pode ser utilizado em Expressão Plástica e Expressão Musical, na abordagem ao código escrito e na matemática.
Recreio / Actividades de Exterior - Nesta "área" as crianças brincam livremente; fazem actividades de motricidade; fazem exploração do espaço e meio envolvente; interagem com os outros...
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Só para terminar, parece evidente que o trabalho com as crianças pequenas não deve ser estruturado de uma forma fechada. Ou seja, a forma como organizamos e utilizamos o espaço físico da sala, constitui uma mensagem curricular, isto é, reflecte o nosso modelo educativo e a nossa intencionalidade. Não nos podemos esquecer que tudo isso é a base do sucesso da aprendizagem das crianças. Este deverá ser flexível e aberto com vista a proporcionar as oportunidades de aprendizagem às crianças, onde elas possam ser sujeitos na construção dos seus saberes.
Um bem-haja a todos... :)*
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